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Leia alguns comentários feitos por Toninho Horta a respeito dos discos:
Primeira fase: os discos no Brasil
“O primeiro disco que eu participei como intérprete foi um disco gravado no Rio de Janeiro, nos estúdios da antiga Odeon, hoje EMI. Foi um disco que eu tive o prazer de fazer junto a três grandes amigos, que são o Beto Guedes, o Danilo Caymmi e o Novelli.
Isso foi em 1973, um ano após o lançamento do primeiro “Clube da Esquina”. A idéia original dos produtores era, no embalo do “Clube 1”, lançar outros discos de membros do “Clube”. O problema é que a gravadora não estava disposta a investir os recursos necessários para a realização de 4 discos, então resolveram juntar estes quatro compositores e fazer um só, que ficou conhecido como o “Disco dos 4 no Banheiro”. A foto do disco, realizada e idealizada pelo grande Cafi, foi justamente um reflexo desta proposta da gravadora: fomos até o banheiro e tiramos a foto dentro de um Box, bem apertados. Em outras palavras, as condições que a EMI nos deu, naquela época, para a realização do trabalho. De toda forma, é um disco muito admirado e que trouxe grande alegria em sua realização.
A gravação do Terra dos Pássaros foi uma epopéia de 04 anos. Em 1976, começamos em um estúdio de Los Angeles, na época pertencente à “The Band”, que acompanhava Bob Dylan. Logo após a gravação do LP “Raça”, do Bituca, havia uma sobra de fitas e horas de estúdio, e ele me ofereceu, perguntando se eu não gostaria de gravar. Então eu gravei algumas coisas, e fui, ao longo de quatro anos, gravando orquestra, convidando pessoas, com dezenas de participações, entre as quais eu destaco o Milton Nascimento, o Airto Moreira, o Raul de Souza e tantos outros amigos e excelentes músicos.
Para muitos, é um disco de referência para gerações até mesmo do Pop Rock atual. Outra coisa na época muito difícil: é um disco totalmente independente.
O disco Toninho Horta , já vinculado à EMI, foi realizado no ano seguinte ao lançamento do Terra dos Pássaros. Até por esta proximidade, são dois discos que tem a mesma intenção, a mesma linha, repertórios próximos, muita orquestra e muitas participações, entre eles a Lena minha irmã, o Robertinho Silva, o Wagner Tiso, o Paulinho Braga, o Yuri Poppof. Foi uma continuação da “Orquestra Fantasma”, naquele momento já atrelada à EMI.
Segunda fase: Os discos na América do Norte
Em 1988, veio dos EUA um produtor chamado Richard Sidell, da Polygram Americana, hoje Universal, me propor a realização de três discos pára o mercado internacional. E eu então assinei o contrato. O primeiro deles foi o Diamond Land, em 1988, gravado e mixado totalmente no Brasil, mas masterizado nos EUA. Pode ser considerado uma inversão dos discos anteriores, no sentido de que antes existia 30% instrumental e 70 % cantado, agora não, seria 70 % instrumental e 30% cantado. Outro ponto interessante foi a participação de Wayne Shorter, grande saxofonista e grande amigo de Los Angeles.
Em 1989, gravei Moonstone, com os amigos Danny Goetlib e Mark Egan, que estavam gravando na época com o Pat Metheny. O Pat inclusive gravou comigo um duo na faixa Diamond Land.
Em 1991, gravei então o disco Once I loved – bem jazzístico, muito alegre de fazer. Gravado com dois grandes instrumentistas americanos, o Garry Peacock e Billy Riggins.
Resolvi colocar como última música do CD a “Minas train” ,bem mineira, diferente do repertório do resto do disco, para não perder o vínculo e a identificação com Minas. Eu não queria virar um músico de Jazz, queria continuar um músico brasileiro.
Os discos Durango Kid I e II, do Selo americano Big World, faziam parte de um projeto que o produtor Neil Wave me propôs de fazer um registro de toda a minha obra, em voz e violão. Infelizmente o projeto não se concretizou, mas fiquei muito contente porque conseguimos produzir os dois discos “Durango Kid”. Foram lançados em 93 e 95, respectivamente.
São inclusive discos, que, na América, no Japão e na Europa são aclamados por grandes músicos, pela intimidade e cumplicidade que tenho no trabalho, e pela minha performance, que pode mostrar bem a diversidade e qualidade das minhas músicas.
Em 1995, fiz uma temporada em Seoul, na Coréia, ao lado do produtor e guitarrista Jack Lee. Resolvemos gravar toda a semana de shows, num clube chamado Camelot Club. Este trabalho, em que eu tocava o repertório dos discos Durango Kid, se transformou no disco “Serenade”, em que eu explorava muito os efeitos de voz, as vocalizes. Também foi muito bom contar com a participação de Jack Lee nas músicas Arirang, música tradicional coreana, e I Love You, uma música maravilhosa do Cole Porter.
Terceira fase: Projetos diversos
Paralelo a isso gravei vários projetos independentes e com gravadoras de outros países, até porque era uma época em que eu viajava o mundo todo. Gravei na Itália, no Japão, na Inglaterra...
Em 1992, gravei ao vivo na Rússia, um disco triplo, chamado “Live in Moscow”, uma coletânea de shows de diversos artistas. Fiquei com todo o Disco 1 e boa parte do Disco 3, e para mim foi muito bom pois estava ao meu lado a Orquestra Fantasma, com a Lena, o André, o Neném, além de outros convidados internacionais, como o baixista americano Paul Socolov e o gaitista William Garisson. Foi lançado em 1994, pelo selo B&W, da Inglaterra.
Em 1994, gravei Foot on the road, um disco com diversas participações internacionais. Tive ao meu lado músicos como o Rudi Berger, a Akiko Yano, o Omar Hakim, o André Dequech, entre outros grandes músicos.
Em 2000, gravei com o flautista italiano Nichola Stilo um disco chamado “Duets”, um disco muito bonito, que eu gosto muito.
Também em 2000, lançamos um disco em homenagem ao Tom Jobim, pelo selo japonês Vídeo Arts, e foi uma ótima oportunidade pois me deram a possibilidade de fazer um trabalho à altura do maestro, com participação de orquestra e grandes músicos, como o Gary Peacock e o Bob Mitzer.
Meu último trabalho foi o “Toninho Horta com o pé no forró”, projeto totalmente realizado no Brasil, em parceria com o grande letrista e compositor Felipe Cordeiro. É um disco que tem uma alma mineira-nordestina. Ou seja, as melodias e harmonias são mineiras, e a poética e os ritmos, ditados pela zabumba, o triângulo e a sanfona, são nordestinos.
Foi na verdade uma grande alegria pos dois motivos: primeiro pelas participações mais que especiais de Fagner, Elba Ramalho e do padrinho Dominguinhos.
Segundo porque fizemos um trabalho belíssimo, que concorreu ao Grammy latino ao lado de pessoas como o Gilberto Gil, o João Gilberto, o Ivan Lins e a Joyce. Não ganhamos, mas só nossa participação já foi uma alegria para todos.
Além desses, poderia citar mais alguns trabalhos que me deram grande alegria, realizados tanto no Brasil quanto em outros países.
Em 1989 gravei ao vivo com meu querido Flávio Venturini uma série de shows no Rio de Janeiro, que anos mais tarde foi lançado sob o título de “Flávio Venturini e Toninho Horta ao Vivo no Circo Voador”. Um show com astral muito bom, um disco que eu gosto muito.
Gravei com a Joyce, no Japão, em 1995, um disco em homenagem ao Tom Jobim chamado “Sem Você”, Um disco muito gostoso, bem interessante, que também teve uma trajetória internacional muito boa.
Outro disco, gravado em 1998, que eu gostei muito foi o “Qualquer canção”. O disco foi realizado em parceria com o vocalista do Nouvelle Cousine, Carlos Fernando, interpretando somente músicas do Chico Buarque.
Em 2001, gravei com meus amigos Chiquito Braga e Juarez Moreira o disco “Quadros Modernos”.
Foi muito bom poder tocar com Chiquito, que foi para mim sempre um guru, e Juarez, amigo de velha data e instrumentista brilhante.
É basicamente isso. Minha discografia total está por volta de 20 discos, e com meu selo, o Minas Records, estamos tentando viabilizar o relançamento da maioria destes discos, para que as pessoas do Brasil e do mundo possam conhecer melhor o meu trabalho nestes mais de 40 anos de carreira.
Espero que vocês tenham gostado. Grande abraço. Toninho.” |
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